
Marcelo Teixeira foi eleito em 1999. Assumiu em 2000 e foi reeleito em 2001 para o mandato que terminaria em 2003. O estatuto da época possibilitava apenas uma reeleição, ou seja, ao final de 2003 Marcelo deveria apoiar um outro candidato de seu grupo. Mas veio a mudança estatutária, aprovada em outubro de 2003. Entre as novidades, reeleições infinitas, que passariam a valer já naquele ano. Só por isso Marcelo Teixeira continuou podendo se reeleger.
Muitos vão argumentar que ele foi eleito pelo voto, o que é verdade. Mas quando se está no poder, com a máquina administrativa a seu lado, boa parte da mídia local submissa e uma rede de favores extensa que todos conhecem bem, as chances de derrota são pequenas. Ainda mais se, dentro de campo, o time consegue alguns bons resultados. Para o torcedor comum, que gosta de analisar só bola na rede, balanços e falhas administrativas são facilmente ignoradas ou perdoadas.
Com a mudança estatutária realizada em 2003, dificilmente Marcelo Teixeira deixará o poder. Só sairá se efetivamente quiser. Se preferir continuar, vai ser reeleito ainda que o time caia para a série B. Seu grupo montou uma estrutura que impossibilita uma derrota nas urnas. E o estatuto é o coração desta estrutura por vários motivos.
Primeiro: as reeleições infinitas são um retrocesso. Dualib no Corinthians e Mustafá no Palmeiras ganharam mais títulos que Teixeira no Santos, mas quiseram se perpetuar no poder. O resultado foi a segunda divisão. Seus nomes, hoje, estão praticamente proibidos de serem pronunciados em seus clubes. Tudo porque a vaidade e o apego ao poder falou mais alto. É o famoso continuísmo. Como estes cargos não são remunerados, fica aquela dúvida clássica: querem continuar simplesmente porque são homens devotados, verdadeiros mártires de seus respectivos clubes?
Segundo: antes, o associado votava após um ano de contribuição ao Clube. Hoje, só vota após três anos. Para muitos santistas que querem se associar é um gol contra. Ao invés de incentivar a associação em massa, a diretoria desencoraja. Tanto que a própria diretoria criou uma categoria chamada sócio-torcedor, que troca o direito ao voto por brindes. Se fosse feita uma campanha decente de sócios, alcançaríamos, com esforço, mais de 50 mil. O Inter de Porto Alegre, que tem uma torcida menor que a nossa, conseguiu mais de 70 mil sócios e arrecada, mensalmente, mais de R$ 1 milhão. Não seria bom para o Santos? Seria. Por que a diretoria atual não tenta? Porque quanto mais sócios o Clube tiver, menos massa controlada a diretoria terá. Portanto, a garantia de vencer as eleições irá para o brejo.
Terceiro: antes, o santista poderia se candidatar à presidência do Clube se tivesse dez anos como sócio. Hoje, além disso, precisa ter duas passagens pelo Conselho Deliberativo. É como se o candidato à presidência do Brasil tivesse que, obrigatoriamente, ter sido Senador da República anteriormente. Resultado: menos gente capacitada tem a possibilidade de se candidatar. Pior que isso: muita gente que já se candidatou antes perdeu o direito de se candidatar novamente com o novo estatuto. Como o Conselho não é proporcional (a chapa perdedora pode ter 49% dos votos que não elege nenhum conselheiro), o círculo de possíveis candidatos vai se fechando em torno dos mesmos de sempre. E do mesmo grupo político. Nada democrático. É como se o Lula, por ter sido eleito, levasse para o Congresso Nacional apenas deputados e senadores do PT e base aliada.
Com a mudança estatutária, Marcelo Teixeira garantiu a possibilidade de continuar se candidatando e se reelegendo. Garantiu a manobra de um número de associados fiéis que garantam, sempre, a sua vitória. E restringiu os possíveis candidatos à presidência do Santos do lado da oposição. Hoje são poucos os nomes que reúnem condições estatutárias, financeiras e de saúde entre os oposicionistas. Este é o raio-X dos males que o estatuto golpeado vem fazendo ao Clube, nos últimos cinco anos.
A única forma de garantirmos mais alternativas e alternâncias de poder no Santos é realizando mudanças no estatuto. E quem pode fazer isso é o Conselho Deliberativo, formado por pouco mais de 300 santistas. Mas o Conselho não fará se não tiver o apelo e a fiscalização permanente dos associados e torcedores. Portanto, nesta sexta-feira a Associação Resgate Santista lançará um movimento de conscientização com direito a abaixo-assinado pedindo mudanças estatutárias. A imprensa noticiará e mais santistas serão informados sobre como funciona o estatuto do Clube, que é a principal garantia de continuísmo no Clube.
Portanto, se você quer livrar o Santos deste cenário, que é sinônimo de segunda divisão, e restaurar a democracia no Clube, assine o abaixo-assinado e nos ajude a divulgar o manifesto que será publicado aqui nesta sexta-feira. Será um gol de placa.
Arnaldo Hase é editor-chefe do Santista Roxo e membro da Associação Resgate Santista
Campanha realizada pela Nação Santista.